EBR e Codel assinam subcontrato para início da terraplanagem e dragagem em São José do Norte

Em um movimento estratégico para o desenvolvimento portuário do Rio Grande do Sul, a EBR (Estaleiros do Brasil) e a Codel (Construtora e Dragagem Ltda.) assinaram um subcontrato para dar início às obras de terraplanagem e dragagem no futuro terminal portuário de São José do Norte. O acordo, anunciado nesta semana, marca o pontapé inicial das obras de infraestrutura que prepararão o terreno para a construção de um dos maiores complexos portuários e industriais do país.

Detalhes do subcontrato

O subcontrato prevê a execução de serviços de terraplanagem em uma área de aproximadamente 200 hectares, além da dragagem de um canal de acesso com 15 km de extensão e profundidade projetada de 18 metros. As obras serão realizadas em duas fases: a primeira, com duração estimada de 12 meses, focará na preparação do terreno e na abertura do canal; a segunda, com mais 18 meses, incluirá a consolidação do solo e a instalação de sistemas de drenagem. O valor do contrato não foi divulgado, mas estima-se que ultrapasse R$ 500 milhões.

Segundo fontes da EBR, a escolha da Codel se deu pela sua vasta experiência em obras de dragagem e terraplanagem em projetos portuários de grande porte, como o Porto de Suape e o Complexo Portuário de Açu. A Codel, por sua vez, afirmou que mobilizará uma frota de 10 dragas e 50 caminhões para cumprir o cronograma.

Impacto econômico e logístico

O terminal de São José do Norte é considerado um projeto âncora para o desenvolvimento da região sul do Brasil. Com capacidade para movimentar 50 milhões de toneladas de carga por ano, o complexo deverá atrair indústrias de celulose, grãos, fertilizantes e contêineres. A previsão é que, quando totalmente operacional, o terminal gere 15 mil empregos diretos e 45 mil indiretos.

Para o setor portuário, a obra representa um alívio para a saturação do Porto de Rio Grande, que atualmente opera próximo de sua capacidade máxima. O novo terminal permitirá a diversificação de rotas e a redução de custos logísticos para exportadores do centro-oeste e sul do país.

Desafios ambientais e licenciamento

Apesar do avanço, o projeto ainda enfrenta desafios ambientais. O licenciamento prévio foi concedido pelo IBAMA em 2023, mas condicionado a uma série de medidas compensatórias, incluindo a criação de uma reserva ecológica de 500 hectares e o monitoramento contínuo da qualidade da água durante a dragagem. A Codel se comprometeu a utilizar tecnologias de baixo impacto, como dragas com sistemas de recirculação de sedimentos.

Organizações não governamentais locais, como a Associação de Preservação do Estuário da Lagoa dos Patos, manifestaram preocupação com os possíveis impactos sobre a fauna marinha. Em resposta, a EBR afirmou que realizará audiências públicas trimestrais para prestar contas à comunidade.

Próximos passos

Com a assinatura do subcontrato, as máquinas devem começar a operar em até 60 dias. A EBR também anunciou que está em negociações avançadas com investidores internacionais para a construção do terminal de contêineres e do estaleiro associado. A expectativa é que o complexo entre em operação parcial em 2027.

O presidente da EBR, em entrevista coletiva, destacou: “Este é o maior investimento privado em infraestrutura portuária no Brasil nos últimos 20 anos. Estamos comprometidos com a excelência técnica e a sustentabilidade.”

O setor portuário brasileiro acompanha com expectativa o desenrolar das obras, que podem reposicionar o país no mapa logístico global.


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