Um grave acidente em uma plataforma de petróleo offshore na Malásia resultou na morte de três trabalhadores terceirizados e deixou um quarto gravemente ferido. O incidente ocorreu no último domingo (24 de maio de 2026), durante operações de manutenção em uma unidade flutuante de armazenamento e transferência (FSO) no campo de Sepat, na costa de Terengganu, leste da Malásia. A tragédia levanta novamente questões sobre a segurança nas operações offshore, especialmente em atividades de manutenção com embarcações de resgate.

Detalhes do acidente

De acordo com a estatal Petroliam Nasional Berhad (Petronas), o acidente ocorreu por volta das 12h50, horário local, quando quatro funcionários de uma empresa contratada estavam a bordo de um barco salva-vidas, preparando-se para descer sob a plataforma para realizar serviços de manutenção. Subitamente, o cabo ou gancho que sustentava a embarcação se soltou, fazendo com que o barco caísse no mar. As vítimas fatais foram identificadas como Ahmad Fiqri Zakaria, 38 anos, Muhammad Faezuan Hakim Mohammad Bustamam, 28 anos, e Nik Muhammad Hafifi Asri Ab Majid, 37 anos. O quarto trabalhador, Mohd Taufik Mohd Ruslan, 37 anos, sobreviveu à queda, mas sofreu ferimentos graves, incluindo fraturas, e permanece sob cuidados médicos no Hospital Sultanah Nur Zahirah, em Kuala Terengganu.

Investigação em andamento

A Petronas informou que está cooperando com as autoridades locais para investigar as causas do acidente. Em comunicado oficial, a empresa expressou suas mais profundas condolências às famílias das vítimas e afirmou que sua prioridade imediata é apoiar o bem-estar dos afetados. O chefe de polícia de Kuala Terengganu, comissário assistente Azli Mohd Noor, confirmou que as equipes de resgate foram rapidamente mobilizadas e conseguiram recuperar os corpos e o sobrevivente. A investigação se concentrará no sistema de fixação do barco salva-vidas e nos procedimentos de segurança adotados durante a operação.

Contexto da indústria offshore

Acidentes com barcos salva-vidas em plataformas offshore não são incomuns. Em 2020, um incidente similar na Noruega resultou em feridos durante um teste de rotina. A Organização Marítima Internacional (IMO) e órgãos reguladores como a Administração de Segurança e Saúde Ocupacional (OSHA) dos EUA têm diretrizes rigorosas para a manutenção e operação desses equipamentos. No entanto, a complexidade das operações em águas profundas e a pressão por produtividade podem levar a falhas. O campo de Sepat, operado pela Petronas, é uma área de produção de petróleo e gás natural, e a FSO Sepat é uma unidade crucial para o armazenamento e transferência da produção local.

Impacto para o Brasil e lições aprendidas

Embora o acidente tenha ocorrido na Malásia, ele serve como um alerta para a indústria offshore brasileira, especialmente para a Petrobras e outras operadoras no pré-sal. O Brasil possui uma das maiores frotas de plataformas e FPSOs do mundo, e a segurança em operações de manutenção é um tema recorrente. Em 2022, um acidente com um barco salva-vidas em uma plataforma da Petrobras na Bacia de Santos felizmente não resultou em mortes, mas evidenciou a necessidade de treinamento contínuo e revisão de procedimentos. Especialistas em segurança offshore destacam que a manutenção de equipamentos de salvamento deve ser tratada com a mesma seriedade que a produção. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) no Brasil realiza inspeções regulares, mas acidentes como este reforçam a importância de uma cultura de segurança robusta.

Fontes e Referências


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