Três trabalhadores morreram e um ficou ferido em um acidente ocorrido no domingo (24 de maio de 2026) na embarcação flutuante de armazenamento e transferência (FSO) Sepat, operada pela estatal malaia Petronas, na costa de Terengganu, Malásia. O incidente aconteceu durante um procedimento de manutenção, quando a corda de segurança de um bote se soltou, fazendo com que os profissionais caíssem no mar. As vítimas foram declaradas mortas ao dar entrada no Hospital Sultanah Nur Zahirah, em Kuala Terengganu.
Detalhes do acidente e resposta da Petronas
Segundo informações da agência de notícias estatal Bernama, os trabalhadores estavam descendo em um bote para realizar serviços de manutenção na estrutura da FSO Sepat quando a corda que os sustentava se rompeu. A queda no mar foi fatal para três deles. O quarto profissional, que sobreviveu, recebeu atendimento médico e permanece sob observação. Em comunicado oficial, a Petronas confirmou o ocorrido e afirmou que está prestando apoio às famílias das vítimas e colaborando com as autoridades locais nas investigações. A empresa não divulgou detalhes adicionais sobre as causas do rompimento da corda ou sobre as condições de segurança no momento do acidente.
FSO Sepat: características e operação
A FSO Sepat é uma embarcação do tipo FSO (Floating Storage and Offloading), projetada para armazenar e transferir petróleo bruto produzido no campo de Sepat, localizado na bacia offshore de Terengganu. Diferente de um FPSO (Floating Production Storage and Offloading), a FSO não possui capacidade de processamento, atuando exclusivamente como unidade de armazenagem e descarregamento. A unidade opera em profundidades de cerca de 70 metros e tem capacidade de armazenamento de aproximadamente 600 mil barris de petróleo. O campo de Sepat é um dos ativos de produção da Petronas na região, que também abriga outros campos como Dulang e Guntong.
Segurança offshore: desafios e precedentes
Acidentes com queda de trabalhadores ao mar durante operações de manutenção são uma preocupação recorrente na indústria offshore. Em 2024, a IMO (Organização Marítima Internacional) registrou mais de 200 incidentes fatais em operações de embarque e desembarque em plataformas e navios. No Brasil, a ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) contabilizou 15 mortes em acidentes offshore entre 2020 e 2025, sendo que quedas de altura e acidentes com botes representam cerca de 20% dos casos. A Petrobras, maior operadora do país, implementou procedimentos rigorosos de amarração e uso de equipamentos de segurança, como cintos de segurança e cabos de aço, mas incidentes ainda ocorrem.
Impacto para a indústria e lições para o Brasil
O acidente na Malásia serve como alerta para a indústria offshore brasileira, que opera centenas de plataformas e embarcações similares na Bacia de Santos, Bacia de Campos e outras regiões. O Brasil possui uma frota de mais de 80 FPSOs e FSOs, muitas operadas pela Petrobras e por empresas internacionais como Shell, Equinor e TotalEnergies. A segurança em operações de manutenção, especialmente em atividades com botes e cordas, é um ponto crítico. Especialistas ouvidos pelo MarNews destacam que a falha de equipamentos de amarração é uma das principais causas de acidentes fatais no setor. “A indústria precisa investir em tecnologias de monitoramento de cabos e em treinamento contínuo para evitar tragédias como essa”, afirma o engenheiro naval Carlos Alberto de Souza, consultor em segurança offshore.
Contexto geopolítico e econômico
A Malásia é um dos maiores produtores de petróleo do Sudeste Asiático, com produção média de 600 mil barris por dia em 2025. A Petronas, estatal que responde por cerca de 70% da produção do país, anunciou em janeiro de 2026 um plano de investimento de US$ 50 bilhões para os próximos três anos, visando aumentar a produção doméstica e garantir a segurança energética. O acidente na FSO Sepat pode gerar pressão regulatória e atrasos em algumas operações, mas não deve afetar significativamente a produção total do país. Para o Brasil, que também busca expandir sua produção no pré-sal, o episódio reforça a necessidade de padrões rigorosos de segurança.


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