Acidente fatal durante manutenção em plataforma Sepat
Três trabalhadores morreram e um ficou gravemente ferido neste domingo (24 de maio de 2026) após um bote salva-vidas cair no mar durante serviços de manutenção na plataforma Sepat, localizada nas águas dos estados de Terengganu e Kelantan, na Malásia. O incidente ocorreu por volta das 12h50 (horário local), quando os quatro funcionários do departamento de segurança da plataforma realizavam manutenção no próprio bote. De acordo com a polícia local, o cabo ou gancho que prendia a embarcação se soltou, fazendo com que as vítimas caíssem junto com o bote em alto-mar.
As vítimas foram identificadas como Ahmad Fiqri Zakaria, 38 anos; Muhammad Faezuan Hakim Mohammad Bustamam, 28 anos; e Nik Muhammad Hafifi Asri Ab Majid, 38 anos, todos falecidos. O quarto trabalhador, Mohd Taufik Mohd Ruslan, 37 anos, foi resgatado com vida, mas em estado crítico, com suspeita de múltiplas fraturas ósseas. Ele está internado no Hospital Sultanah Nur Zahirah (HSNZ), em Kuala Terengganu.
Detalhes do resgate e investigação
Após a queda, uma equipe de resgate conseguiu trazer as vítimas de volta à plataforma. Em seguida, elas foram transportadas de helicóptero até o Aeroporto Sultão Mahmud, chegando por volta das 17h. De lá, foram levadas às pressas para o HSNZ, onde três foram declarados mortos na chegada. O sobrevivente permanece em estado grave. A polícia de Kuala Terengganu, sob o comando do superintendente assistente Azli Mohd Noor, informou que o caso está sendo investigado como morte súbita, e os corpos foram encaminhados ao departamento forense do HSNZ para autópsia, marcada para as 8h30 de segunda-feira (25 de maio).
O acidente levanta questões sobre a segurança nas operações offshore, especialmente em atividades de manutenção de equipamentos de salvamento. A plataforma Sepat é operada pela Petronas, a estatal petrolífera malaia, que ainda não se pronunciou oficialmente sobre o incidente. A empresa responsável pela plataforma, no entanto, já entrou em contato com as famílias das vítimas.
Impacto humano e emocional
Uma das vítimas, Muhammad Faezuan, deixou uma esposa grávida, Nurkhaeryna Dhania Azreen Khairil Azri, de 28 anos. Ela foi informada sobre o acidente por volta das 16h de domingo, após receber uma ligação do empregador do marido. “A empresa não conseguiu dar mais informações sobre a condição do meu marido naquele momento, apenas disse que ele estava envolvido em um incidente”, relatou a viúva, visivelmente abalada, no departamento forense do HSNZ. Ela e sua mãe viajaram de Bukit Setongkol, em Kuantan, Pahang, até o hospital, chegando por volta das 19h. O último encontro do casal foi no domingo anterior (17 de maio), antes de Muhammad Faezuan retornar ao trabalho na plataforma para um período de duas semanas.
Casos como este evidenciam os riscos enfrentados diariamente por trabalhadores offshore, que lidam com condições extremas e equipamentos que, paradoxalmente, deveriam garantir sua segurança. A queda de um bote salva-vidas, um item projetado para salvar vidas em emergências, revela falhas graves nos protocolos de manutenção e inspeção.
Contexto da indústria offshore na Malásia
A Malásia é um dos maiores produtores de petróleo e gás do Sudeste Asiático, com vastas operações offshore no Mar da China Meridional e nas costas de Terengganu, Sabah e Sarawak. A plataforma Sepat faz parte do campo de mesmo nome, localizado a cerca de 150 km da costa de Terengganu, em lâmina d’água de aproximadamente 70 metros. O campo é operado pela Petronas Carigali, subsidiária de exploração e produção da Petronas, e produz petróleo leve e gás natural.
Acidentes fatais em plataformas offshore não são incomuns na região. Em 2024, um incêndio em uma plataforma da Petronas em Sabah matou dois trabalhadores. Em 2023, um vazamento de gás em uma plataforma na costa de Sarawak deixou um morto e três feridos. A indústria offshore malaia, embora regulamentada, enfrenta desafios de segurança, especialmente em equipamentos envelhecidos e em operações de manutenção de alto risco.
Lições para a segurança offshore global
O acidente na plataforma Sepat serve como um alerta para a indústria offshore em todo o mundo. A manutenção de botes salva-vidas é uma atividade crítica, mas muitas vezes negligenciada. De acordo com a Organização Marítima Internacional (IMO), os botes salva-vidas devem ser inspecionados e testados regularmente, e os cabos e ganchos de içamento devem ser substituídos conforme as recomendações dos fabricantes. No entanto, falhas mecânicas e erro humano continuam sendo causas comuns de acidentes.
Especialistas em segurança offshore apontam que a investigação deve focar na integridade dos equipamentos de içamento, no treinamento da equipe e nos procedimentos de manutenção. “A queda de um bote salva-vidas durante a manutenção é um evento raro, mas trágico. É essencial que as empresas revisem seus protocolos e garantam que todos os equipamentos de segurança estejam em perfeitas condições”, afirmou o engenheiro de segurança offshore, Dr. Rajesh Kumar, em entrevista ao MarNews.
Para o Brasil, que possui uma das maiores indústrias offshore do mundo, com destaque para o pré-sal, o incidente reforça a necessidade de vigilância constante. A Petrobras e outras operadoras no país têm investido em programas de segurança, mas acidentes como o da plataforma Sepat mostram que o risco nunca é zero.


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