Trabalhador morre ao cair de torre de perfuração de 70 metros em sonda da Transocean a serviço da Petrobras no Espírito Santo; segurança offshore é questionada
Um grave acidente com vítima fatal foi registrado na noite do último sábado (2 de maio de 2026) na unidade marítima de perfuração Deepwater Aquila (NS-60), operada pela Transocean a serviço da Petrobras. O incidente ocorreu no poço 7-JUB-71DB-ESS, no campo de Jubarte, na área da Unidade Operacional do Espírito Santo, nas proximidades do FPSO (Floating Production Storage and Offloading — Navio-Plataforma de Produção, Armazenamento e Transferência) Maria Quitéria (P-57). De acordo com as primeiras informações, um trabalhador caiu da torre de perfuração, de uma altura estimada em cerca de 70 metros, e morreu no local. As circunstâncias do acidente seguem em apuração pela comissão de investigação já constituída.
Detalhes do acidente e resposta imediata
O acidente ocorreu por volta das 20h, quando o trabalhador, cujo nome ainda não foi divulgado oficialmente, realizava atividades na torre de perfuração. A queda foi fatal, e a equipe de bordo acionou imediatamente os protocolos de emergência. A Petrobras informou que as atividades na área foram interrompidas para isolamento e preservação do local, além da comunicação às áreas responsáveis e acionamento dos protocolos para acidentes graves. Houve também mobilização de resgate aeromédico, mas o trabalhador já não apresentava sinais vitais.
A empresa constituiu uma comissão de apuração para investigar as causas do acidente, com participação de representante do Sindipetro-ES (Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo), como garantido pelo Acordo Coletivo dos Trabalhadores. A Transocean, como operadora da sonda, também iniciou sua própria investigação interna. A Deepwater Aquila é uma sonda de perfuração semissubmersível da classe NS-60, projetada para operar em lâminas d’água de até 3.000 metros, e estava em operação no campo de Jubarte, um dos principais campos do pré-sal da Bacia de Campos.
Contexto de segurança offshore no Brasil
O caso reacende o alerta sobre as condições de segurança nas atividades offshore (marítimas), especialmente em operações de alto risco como a perfuração. Entidades sindicais vêm reiterando a necessidade de rigor no cumprimento das normas de segurança, treinamento adequado e condições de trabalho que priorizem a vida. O Sindipetro-ES acompanha o caso e cobra apuração rigorosa, com transparência e responsabilização, além de medidas efetivas para evitar que novas tragédias ocorram.
Dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) indicam que, entre 2020 e 2025, foram registrados mais de 150 acidentes graves em plataformas e sondas offshore no Brasil, com pelo menos 12 mortes. O setor de óleo e gás offshore brasileiro emprega diretamente cerca de 50 mil trabalhadores em plataformas e sondas, e a segurança operacional é um tema crítico para a Petrobras e suas contratadas.
Impacto para o setor e para o Brasil
O acidente ocorre em um momento de retomada dos investimentos em perfuração offshore no Brasil, com a Petrobras planejando expandir suas operações no pré-sal e em novas fronteiras exploratórias, como a Margem Equatorial. A Transocean é uma das maiores contratadas de perfuração do mundo, com frota de mais de 30 sondas, e tem contrato com a Petrobras para operar a Deepwater Aquila até 2028. O incidente pode gerar impactos na programação de perfuração do campo de Jubarte, que produz cerca de 150 mil barris de petróleo por dia através do FPSO Maria Quitéria.
Especialistas em segurança do trabalho ouvidos pelo MarNews destacam que a queda de altura é uma das principais causas de morte em operações offshore, e que a adoção de sistemas de ancoragem dupla e treinamento contínuo são medidas essenciais para prevenir acidentes. A IMO (International Maritime Organization — Organização Marítima Internacional) e a IADC (International Association of Drilling Contractors — Associação Internacional de Contratantes de Perfuração) possuem diretrizes específicas para trabalho em altura em unidades marítimas, que devem ser rigorosamente seguidas.
Reações e próximos passos
O Sindipetro-NF (Sindicato dos Petroleiros do Norte Fluminense), em nota, solidarizou-se com os companheiros do Espírito Santo e manifestou condolências aos familiares, amigos e colegas de trabalho do trabalhador. A Petrobras afirmou que prestará toda a assistência necessária à família e que a comissão de apuração trabalhará com transparência para esclarecer as causas do acidente. A Transocean, por sua vez, declarou estar cooperando com as investigações e revisando seus procedimentos de segurança.
A ANP também foi notificada e pode abrir processo administrativo para apurar possíveis irregularidades. O acidente deve gerar cobranças por parte dos sindicatos e do Ministério Público do Trabalho, que já investiga condições de segurança em plataformas offshore no Brasil. A expectativa é que o relatório final da investigação seja divulgado em até 90 dias.


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